Sucesso brega

Em momento algum me passou pela cabeça que essa música entraria no meu blog. Não porque eu não quisesse… simplesmente porque nem lembrava da existência dela.

Mas um dia uma colega veio com essa surpreendente ‘encomenda’, que me pareceu um contrassenso, tendo em vista que ela é adepta de uma vida sem filhos (veja seu blog – Sem Filhos)

Ah sim… a encomenda: Odair José  e “Uma vida só”, popularmente conhecida como “Pare de tomar a pílula”

HAHAHAHAHA…Sim! É essa música mesmo que você está pensando… é engraçado porque apesar de saber que não era, eu sempre fiz uma conexão dela com as marchinhas antigas de carnaval… tipo “Cabeleira do Zezé” e outras… rsrsrs

Bom, toda música tem lá suas mensagens… especialmente para quem as ouve.

Acreditem ou não, mas encontrei um vídeo de um show dele de dezembro de 2007, no Youtube!  Vamos lá:

Uma vida só (Pare De Tomar A Pílula)

Odair José

Já nem sei há quanto tempo nossa vida é uma vida só e nada mais

Nossos dias vão passando e você sempre deixando tudo pra depois

Todo dia a gente ama, mas você não quer deixar nascer o fruto desse amor

Não entende que é preciso ter alguém em nossa vida
Seja como for

Você diz que me adora que tudo nessa vida sou eu
Então eu quero ver você esperando um filho meu
Entao eu quero ver você esperando um filho meu
Pare de tomar a pílula, pare de tomar a pílula, pare de tomar a pílula
Porque ela não deixa o nosso filho nascer

 

Na década de 70, especialmente após a primeira crise do petróleo e o fim do “milagre econômico” brasileiro (1973), os consideráveis investimentos demográficos exigidos pelo acelerado crescimento populacional levaram o governo militar a adotar uma política demográfica do tipo antinatalista, patrocinando uma campanha nacional de controle da natalidade. Na mesma época, em 1973, Odair José lançou a canção “Uma vida só”, que despertou não só a ira do governo Médici, que a censurou pelo suposto entendimento de que a canção fazia propaganda contrária à sua campanha, como a igreja, que via na letra uma promoção indireta ao uso de métodos contraceptivos. A indústria farmacêutica, por sua vez, via justamente o contrário. Hahaha Enfim, o cara causou!

Há diversas maneiras para se ‘interpretar’ essa letra, mas vou me ater a duas: a liberdade de expressão e a romântica.

Liberdade de expressão:  Num momento em que todos os seus passos, atitudes, quiçá pensamentos eram monitorados, qualquer forma de protesto era  um risco. Mas para quem tem na música sua ferramenta de expressão, pode se valer de uma suposta “licença poética”. Quem sabe essa não foi a intenção de Odair José…

Romântico:  Existe uma linha tênue entre o romantismo e a breguice. Por isso, também não duvido que num momento de deprê, ele tenha optado por escrever essa música ao invés de alugar um filme ‘de chorar’ e afogar suas mágoas num imenso pote de sorvete!  Rsrs – Tá tá.. isso é coisa de mulher. Mas que fosse num boteco tomando cerveja, né? 

Bem, paralelos à parte, acho que a música não poderia ser mais atual. Com as mulheres cada vez mais a frente de grandes conquistas – a mais recente e impossível não citar, o cargo de Presidente da República – percebemos um forte movimento pelo adiamento da maternidade ou ainda pelo “childfree” (sem filhos).

Pudera, a vida é mesmo muito mais fácil quando o ir e vir depende exclusivamente de você, da sua própria vontade e não se tem uma responsabilidade dessa grandeza pelo resto da vida. Vivo esse momento. É mesmo muito bom, simplificado e feliz!

Mas, obviamente não estou dizendo que não seja possível ser bom, simples e feliz com filhos. Estou apenas constatando um fato. O único que posso constatar por experiência própria, afinal!

O meu lado egocêntrico, no entanto, me lembra que eu gosto tanto de viver, que seria legal perpetuar minha existência. O meu lado romântico/brega confessa ainda, que também considera um filho “um fruto do amor” e como se não bastasse, como não sofre nenhuma censura, delira com a frase “quero ver você esperando um filho meu”… KKKKK

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